
Como tirar doce criança, foi retirado hoje da mão de cada brasileiro um pedaço de ouro que daqui à nove dias viriam a ser unidos em uma só mão para coroar o amor de uma nação a um esporte..
190 milhões de olhares focados, onde a emoção tomou conta do espírito de cada um,a adrenalina mostrava seus traços de poder, o nervosismo se fazia presente, a apreensão passou a fazer parte como nunca dos minutos mais perplexos da vida de cada brasileiro nos ultimos anos,mas às 12:53 hs de sexta-feira 02 de julho de 2010, o soar de um apito em céu sul-africano cala por instantes todo o brilho da intensa torcida brasileira.
Poderiam ter sido os noventa minutos mais incríveis da semana, já que logo de cara, a alegria do futebol brasileiro mostrou seu ímpeto de mostrar que não são onze quaisquer pessoas com uma camisa azul e amarela e sim onze heróis em busca da alegria de uma nação, mas toda a classe que sempre misturada com a felicidade marcante da nossa seleção nos recheava de orgulho hoje durou apenas quarenta e cinco minutos. Ao fim de um primeiro tempo dominado, parecia que em cada jogador holandês haveria entrado um espírito aguerrido que talvez tivesse faltado hoje para nossos super heróis. E em questão de minutos, o enigmático astro holandês transforma toda nossa alegria e animação em dor e decepção, era o ponto final de mais uma caminhada.Os murmuros das famosas vuvuzelas eram interrompidos por segundos de tristeza, inconformismo e decepção.
O brilho verde e amarelo presente por todo canto, passa a exprimir em tons de cinza o sentimento momentâneo de todo brasileiro, desde os socos na parede de um fanático por futebol no auge de seus 30 anos à lagrima ainda sutil da criança com seu olhar decepcionado frente à televisão em busca somente de quem sabe um sorriso querendo acordar desse sonho tão ruim com o soufejar das alegres vuvuzelas africanas comemorando um gol canarinho.
Variando da alegria do pré-jogo à amarga decepção da derrota, a sexta-feira se caracterizou por sua salada de sentimentos e emoções, o clima festeiro da copa chega a seu momento mais duro para a nação brasileira, os eventos altamente planejados, as decorações intensamente projetadas passam a fazer apenas parte de mais uma página rasurada do caderno de anotações do esperançoso escritor amante desportivo disposto a publicar seu dia-a-dia verde e amarelo a caminho do grito de campeão.
Que toda lágrima rastejada por cada rosto infantil hoje, mesmo recheada com um engasgado sentimento de frustração, seja peça primordial para o reerguimento de todo o colorido canarinho, hoje ofuscado pelo laranja intenso holandês, que pintará não somente cada coração brasileiro, mas cada canto de terra nacional daqui a quatro anos no próximo capítulo dessa história sem fim ..
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